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| Lexington Avenue |
Os livros de Jackson Elias eram avidamente procurados por um círculo restrito de leitores, pelos seus temas sinistros, mas meticulosamente pesquisados. Arriscando a sua vida, Elias tinha viajado pelos quatro cantos do mundo estudando as mais perigosas seitas e cultos, e os seus pergaminhos eram sempre entregues ao seu amigo e confidente, Jonah Kensington, proprietário da pequena editora, Prospero House em Lexington Avenue. Foi aí que Robert Crosland e Salome Carter se dirigiram, no dia após a morte de Elias, para tentar entender o que poderia ter levado à sua morte.
Kensington era um homem mediano, mas de farta barba e cabelos grisalhos, com a boca perpetuamente retraída, num trejeito pensativo. As notícias já tinham chegado aos seus ouvidos pela boca dos inspectores da polícia que o tinham visitado nessa manhã para o interrogar sobre as actividades de Elias. A visita de Robert e Salome foi bem recebida pelo editor que se dispôs a ajudar no que fosse necessário. Apesar das diligências das autoridades, Kensington não queria ficar parado. Devia-o à memória do amigo. A verdade é que Elias parecia ter-se envolvido numa nova investigação, embora Kensington não conseguisse precisar que culto estaria a investigar. As notas que Elias lhe enviara eram bastante vagas e, já nas semanas que antecederam a sua morte, revelavam uma mente seriamente perturbada. Isto, mais do que tudo, levava Kensington a acreditar que a vida de Elias corria sério perigo. Mesmo que as notas se devessem aos mais puros delírios fantásticos, Elias nunca tinha sido um homem dado a fantasias. Era, na verdade, bastante pragmático e objectivo, com nervos de aço. Este era o homem que investigara o culto dos thuggee na Índia e se embrenhara na selva Africana para investigar tribos selvagens que praticavam sacrifícios humanos. Nunca os seus livros tinham caído no campo da fantasia.
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| Jonah Kensington |
As primeiras notas estavam escritas no estilo sóbrio e meticuloso de Elias. Escrevera-as no Quénia, quando investigara o massacre da Expedição Carlyle. Apesar de reconhecer que a morte dos membros da expedição se devera às acções de um culto denominado o Culto da Língua Sangrenta, liderado por uma misteriosa sacerdotisa, não tinha encontrado provas do culto. Apenas rumores sussurrados por temerosos nativos que falavam de horrendas criaturas aladas que saiam da montanha e raptavam crianças a meio da noite. O deus venerado pelo culto era o Deus dos Ventos Negros embora mesmo os conhecedores de obscuras mitologias Africanas tivessem não conseguissem identificar a entidade ou qual o seu papel na mitologia das tribos Africanas.
Mas as notas que Elias enviara a Kensington de Londres contrastavam com o seu estilo habitual. Escritas numa letra quase irreconhecível, com uma linguagem confusa, as notas fazia alusão a algo poderoso cuja vinda abriria muitos portais... esse poder, ou ser, teria muitas faces e muitas formas e era conhecido como Nyarlathotep. Kensington duvidava da saúde mental do amigo e, quando este lhe irrompera porta dentro no dia anterior, o editor sugerira um descanso prolongado. Mas Elias encontrava-se num estado de quase histeria e apenas murmurava que precisava de investigar umas pontas soltas. Foi a última vez que Kensington o viu. Antes de Crosland e Salome o deixarem, Kensington lembrou-lhes que o funeral de Elias seria amanhã, por volta das 10 horas.
Brighton e von Haniel tinham-se dirigido aos escritórios da Importações Emerson, cujo cartão estava entre os pertences de Elias. No verso, alguém tinha escrito o nome Sylas N'Kwane. Falando com o proprietário da empresa, os dois homens ficam a saber que Elias tinha estado durante a tarde do dia anterior nas instalações. Elias tinha-se mostrado bastante interessado num exportador do Quénia em especial, um homem chamado Ahja Singh. A mercadoria que exportava passava pelas mãos das Importações Emerson apenas para um cliente particular no Harlem, Sylas N'Kwane.
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| Harlem, próximo da Casa do Ju Ju |
A Casa do Ju Ju estava num pátio sem saída, localizado uma zona pobre do Harlem, com filas intermináveis de casas estreitas, apinhadas e escuras. Helmut e Adriana optaram por ficar no carro à espera. Para chegar à loja, Crosland, Salome e Brighton atravessaram um pequeno túnel que os conduzia da rua ao pátio sujo e escuro. Ali se avistavam as traseiras de algumas lojas há muito fechadas e emparedadas. Apenas a Casa do Ju Ju continuava aberta, com a sua montra onde tinham sido dispostos inúmeros artefactos, talismãs e estatuetas Africanas. O interior estava apinhado de todo o tipo de objectos genuínos. Filas intermináveis de prateleiras com máscaras tribais, armas, colares e pulseiras, pequenas estátuas nos expositores e até mesmo tambores. Por detrás do balcão, um velho negro de cabelos brancos e um sorriso rasgado observava os investigadores por cima dos seus óculos redondos.
Fingindo interesse nos objectos em exposição, os investigadores observaram a loja mas nada saltava à vista. Era um espaço pequeno, que cheirava a madeira e a ar abafado. A única entrada e saída era apenas a porta da frente. Embora Salome tenha conseguido mencionar Elias subtilmente, o velho não demonstrava qualquer reacção. Ou não conhecia, de facto, Elias ou era um mestre a disfarçar qualquer emoção. Sem quererem forçar a investigação para não atrair demasiadas atenções, os investigadores regressaram ao carro. Adriana sugere, então, que contactem a irmã de Roger Carlyle. Sendo a pessoa mais próxima dele, talvez ela pudesse elucidar quanto às motivações do irmão e lançar alguma luz sobre o assunto.
Enquanto os restantes regressaram aos seus afazeres, Helmut decidiu investigar melhor a loja. Usando o seu fato mais gasto, Helmut calcorreou as ruas do Harlem como um vagabundo. Habituado a fazer-se passar despercebido, seria mais um sem-abrigo a quem as pessoas não prestariam atenção. Àquela hora, a loja já estava fechada e o pátio silencioso e escuro. Sentado entre os caixotes de lixo, Helmut fingia-se de bêbedo adormecido. A sua paciência foi recompensada quando observou N'Kwane a sair da loja na companhia de outro negro, este mais bem constituído e mais novo. Aquele negro novo seria um cliente? Duvidoso já que vestia roupas de operário. Apenas com uma centelha de suspeita, Helmut seguiu os dois rua fora quando subitamente alguém o agarrou pelo ombro e o puxou para trás.
Capítulo III: Erica Carlyle
Capítulo III: Erica Carlyle



1 comentários:
Olá meu caro amigo, estou de volta, a tempos tenho acompanhado este blog seu muito bom por sinal. Gostaria que visitasse o http://forum.valinor.com.br/forumdisplay.php?f=163 lá ta havendo várias campanhas de Call of Cthulhu e Trail of Cthulhu, uma delas uma adaptação minha para a aventura ARQUIVO X em tempos atuais.
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