Helmut von Haniel chegara aos Estados Unidos há alguns anos, fugido da depressão que afectava o seu país natal, Alemanha. O pós-guerra tinha sido particularmente terrível. Helmut passara alguns meses internado num hospital de veteranos para sair ao encontro de um país destroçado. De trabalho em trabalho, Helmut tentou sobreviver. Eventualmente, partiu para o estrangeiro, atravessou o Atlãntico e, como tantos outros, chegou aos Estados Unidos. Aí, a vida não foi melhor mas Helmut era um homem determinado e foi ganhando o suficiente para comer, viajando pela costa Leste de lés a lés. Actualmente, arranjara alguns biscates na paróquia de Arkham, onde o bom padre lhe dera um tecto e comida a troco de pequenos trabalhos. A filha do pároco, Adriana, era uma rapariga viajada. Tinha sido enfermeira numa missão na China e, mais tarde, enfermeira nos hospitais em França durante a Grande Guerra. Regressada há pouco tempo para cuidar da saúde frágil da mãe, Adriana era incansável. Ajudava os pais na paróquia e tinha ainda tempo para conversar com Helmut. Entre ambos surgiu uma grande amizade já que o Alemão sentira ser a primeira família que realmente o acolhera com amizade.
![]() |
| Jackson Elias |
Tenho informações sobre a expedição Carlyle. Stop.
Preciso de grupo de confiança para investigação. Stop.
Chego a 15 de Janeiro a NY. Stop.
Adriana conhecia muitos dos correspondentes de Elias, mencionados em cartas ao longo dos anos. Por telefone, entrou em contacto com o professor Robert Crosland, que vivia actualmente em Nova Iorque. Crosland recebeu a notícia com trepidação já que Elias não mencionara qualquer tipo de investigação sobre a expedição Carlyle. No mesmo dia, Adriana contactou o conhecido explorador, Charles Brighton, cuja série de expedições às costas do Antártico tinham sido bem noticiadas há alguns anos. Brighton era também um dos correspondentes frequentes de Elias e ambos haviam partilhado as suas ideias e teorias em centenas de cartas. Sem hesitar, partiu de Londres em direcção a Nova Iorque. Antevendo a partida da amiga, Helmut dispôs-se a acompanhá-la. Uma semana mais tarde, cinco pessoas reunem-se num hotel na Big Apple: Adriana Lewis, Helmut von Haniel, Charles Brighton, Robert Crosland e Salome Carter, antiga aluna de Crosland, em que ele depositiva a maior confiança.
A morte de Elias prenunciava algo desinquietante. Embora os seus nervos estivessem agitados, Crosland, Brighton, Salome e Adriana pretendiam ainda consultar os arquivos da biblioteca da universidade em busca de informações. A uma hora tão tardia, apenas Crosland, na sua função de bibliotecário-chefe, poderia facilitar-lhes entrada. Durante incontáveis horas, até às mansões da noite, vasculharam livros que lhes permitissem descobrir o significado da estranha marca na testa de Elias e as misteriosas facas exóticas na posse dos assassinos. Quando o dia despontou, a sua investigação tinha sido infrutífera.
Trocando impressões, os cinco depressa chegaram à conclusão que Elias estava sob uma grande pressão, embora qualquer discussão sobre a Expedição Carlyle era mera especulação. Os factos sobre a expedição eram bem conhecidos nos EUA: o playboy e herdeiro da fortuna Carlyle, Robert, partira para o Egipto com alguns conhecidos, patrocinado pela Fundação Penhew de Londres. O seu objectivo seria descobrir os segredos do Egipto, embora as atenções do público se prendessem mais com as actividades sociais de Robert. Muitos consideravam tratar-se apenas de uma atracção publicitária e uma extravagância de um jovem, mais conhecido pelas festas e pelos seus romances. Eventualmente, Robert sofrera uma insulação sob o sol escaldante do deserto e a expedição fora forçosamente interrompida. Os membros viajaram até ao ambiente temperado do Quénia onde esperavam recuperar, mas a desgraça abateu-se sobre a expedição, quando os seus membros foram massacrados por uma tribo local. Um inquérito culpabilizou os membros da tribo e os responsáveis foram executados.
Sem outros elementos, os cinco companheiros decidiram então aguardar pela chegada de Elias no dia 15. Nesse fatídico dia, Adriana recebeu uma chamada no seu hotel de Elias. A voz do amigo parecia-lhe agitada e os tiques nervosos e gaguez traiam um estado de histeria incontrolável. Apesar de todos os seus esforços, Adriana não conseguiu arrancar nada de Elias que exigiu a presença dos cinco companheiros no seu quarto, no Hotel Chelsea, às 8 horas dessa noite. À hora combinada, os cinco companheiros chegaram ao hotel e solicitaram a presença de Elias. A sua chave tinha sido levantada pelo próprio há pouco tempo e ele estava no quarto. No entanto, qualquer tentativa para o contactar da recepção era vã. Esperando alguns minutos, e sem resposta, decidem subir eles próprios e bater à porta de Elias. Quando ninguém abriu a porta, tentaram abri-la mas estava trancada. Crosland encostou o ouvido e apercebeu-se de subtis movimentos no interior. Alguns segundos depois, uma janela foi aberta. Sem hesitar, Crosland atirou-se contra a porta, com a ajuda de Brighton, e arrombou-a.
![]() |
| Hotel Chelsea |
Para além dos evidentes sinais de luta, o quarto tinha sido completamente revirado. As gavetas estavam completamente escancaradas, com roupas, papéis e malas espalhadas. Na cama, envolto em lençóis, estava o corpo inerte de Elias, ensaguentado. A sua cabeça pendia no rebordo da cama e a sua face, petrificada num esgar de dor, olhava Crosland e os companheiros com olhos vítreos. Junto à janela, dois homens negros, preparavam-se para fugir através da escada de incêndio. Instintivamente, Brighton puxou da pistola e disparou. Crosland correu para um dos homens no parapeito para o impedir de fugir. Salome fugiu para a recepção para pedir ajuda. Os assassinos não pretendiam deixar-se apanhar facilmente. Cada um empunhava uma faca de aspecto exótico e brandiam-nas ameaçadoramente. Apesar de todos os seus esforços, Crosland e Helmut não conseguiram agarrar os assassinos que, tropeçando escadas abaixo, fugiram para um carro estava estacionado num beco. Helmut ainda perseguiu o carro a pé mas perdeu-o de vista, sem conseguir memorizar a matrícula.
Aproveitando o intervalo de tempo até o gerente do hotel e o segurança chegarem, Crosland e Brighton examinaram rapidamente o quarto. Qualquer pista sobre o assassinato ou as investigações de Elias seria valiosa e não poderia cair nas mãos de terceiros. Apesar dos papéis espalhados pelo quarto, os dois conseguiram recolher algumas folhas e documentos e escondê-los do gerente. Adriana debruçou-se sobre o corpo de Elias, com a garganta em nó. Contendo as lágrimas, certificou-se que o amigo estava morto e reparou numa estranha marca gravada na sua testa por uma faca. O gerente e o chefe da segurança do hotel irrompem pelo quarto acompanhados por Salome. Enquanto se certificavam de que ninguém mexia na cena do crime, tentavam recolher os depoimentos dos cinco companheiros e potenciais testemunhas do crime. Eventualmente a polícia chegou e o quarto foi selado. Quando o detective da polícia ficou descansado quanto ao papel de Crosland e dos companheiros nos eventos dessa noite, levou-os até à esquadra mais próxima para recolher depoimentos e confiscou a arma de Brighton.
![]() |
| Biblioteca da universidade |
Capítulo II: A Casa do Ju-Ju



0 comentários:
Enviar um comentário